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Não é da conta de Deus

14/03/2019       

Ex-alunos de um colégio em São Paulo entram no estabelecimento de ensino e saem atirando em quem veem pela frente. Resultado: 10 mortos e outros feridos.

Todo mundo só fala nisso, então me abstenho de dar mais dados sobre o ocorrido.

Senti uma tristeza profunda no momento em que assisti a notícia. Mas confesso que contei nos dedos quanto tempo ia demorar para surgir aqueles oportunistas para fazerem política com o fato. Motivo? Sim, o da moda: PORTE DE ARMAS. Agora só se fala nisso, como se fosse ele o responsável pela chacina ocorrida na escola.

Hummm, se não me engano, o porte de armas ainda não foi liberado, ou seja, como muitos outros crimes, este aconteceu sob a tutela da legislação atual a qual impede que qualquer um possa portar armas, com exceção de policiais, forças armadas, alguns agentes de segurança privada, bandidos, etc.

Chega a ser cômico como algumas pessoas, senão muitas ou a maioria delas, execram uma lei que sequer foi votada, e que todos os absurdos de violência que acontecem e ainda andam acontecendo sejam relacionados com a tal lei que nem entrou em vigor ainda.

Não, eu não estou defendendo a liberação do porte de armas. Ainda não tenho uma opinião estabelecida sobre o assunto.

Contudo, eu tenho uma sugestão para resolução de parte dos problemas de violência no Brasil, e essa ideia é inspirada nessa lei de porte de armas que não se sabe quando ou se entra em vigor. A ideia é a seguinte:

Que tal a hipótese de que alguns casais de condições financeiras e psicológicas duvidosas fossem submetidos a uma bateria de testes e exames que os credenciassem a serem ou não pais? Essa não seria a sugestão definitiva, mas com certeza um bom ponto de partida.

O que não falta por aí são casais sem a mínima condição financeira de sustentar uma criança ou de dispor de tempo e situação psicológica estável que possam oferecer o mínimo de condição de assistência àqueles que vão colocar no mundo.

Isso quando não for caso de gravidez acidental, pois nos tempos atuais o sexo ainda é feito de forma irresponsável. Ora, se as pessoas não estão nem aí para si mesmas diante das consequências que um sexo irresponsável causa à saúde, acham mesmo que elas se importam com o risco de gravidez não planejada?

Sejamos realistas. Hoje qualquer um faz filho, tendo ou não condição de cuidar.

E quando não cuidam, o resultado pode ser catastrófico, como o que ocorreu na escola em Suzano.

A maior arma contra o homem é o próprio homem.

Não é o 38, a AK47, fuzil ou a pistola o culpado. É quem está por de trás para puxar o gatilho.

Então, por que a pessoa puxou o gatilho? Quem é responsável por ela estar ali? Quem é responsável pelas condições psicológicas que fizeram ela atirar? Como ela conseguiu a arma?

É preciso apenas um ser humano ruim para representar a fatalidade para milhares de seres humanos bons. Hitler, Stalin, Saddam, Bin Laden, Escobar... todos são exemplos.

Deixemos de ser hipócritas ao culpar uma lei que nem entrou em vigor.

Pior ainda é relacionar Deus à tragédia.

O ser humano deveria se envergonhar. Deus o beneficia com a vida, além de dar a ele condições de raciocinar, para que melhor possa fazer por si mesmo, pelo meio ambiente e pelos outros animais irracionais. E ainda assim ele quer rogar ou questionar Deus?

A culpa pelas tragédias de violência nesse país é de uma gestão do Estado que atravessa décadas, não exclusivamente da atual; a culpa é de uma falta de planejamento que não leva a sério a formação de um cidadão; e, principalmente, a culpa é de pessoas que insistem que podem e devem ser pais, de forma totalmente irresponsável, literalmente fodendo para realizar isso, ainda que isso represente o risco de seu filho foder a vida de umas dez pessoas inocentes que nada tiveram a ver com foda nenhuma.

 

FSdN

 

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